Dando seguimento em algumas narrativas e lembranças, dessa minha trajetória de 50 anos no ramo de seguros (que se completam em 1º de novembro), e 38 anos de advocacia, escrevi o artigo “UMA DAMA NA ESTRADA”, prestando pequena homenagem carinhosa a Jane Manssur, que me oportunizou e ensinou lecionar, me abriu as portas da Escola de Negócios e Seguros (ENS) que acabou me agraciando, acima do que me merecia, com Diploma de Honra ao Mérito. Nesta linha, me preparei para fazer o mesmo reconhecimento à Therezinha de Jesus Corrêa – a meu juízo o personagem mais sábio em direito que encontrei nessa estrada.

Ao procurar alguns dados me deparei com esta preciosidade publicada pelo JRS, em junho de 2014, sobre esta figura fantástica que a vida colocou no meu caminho. Sem estrelismo, sem perseguir holofotes, modesta, humilde, gentil e talentosa. Therezinha é mais que um ícone: É lenda! Pois entendi de repetir o texto que se mantém atual. Curtam porque é da história:

À mestra com carinho: Therezinha de Jesus Corrêa, uma professora que é uma fera

Conheci muitas feras no ramo de seguro, e uso esta expressão propositadamente, assim, do jeito que ela é, meio – para não dizer bastante – chula mesmo. Acho que depois de 40 anos de mercado e 30 de advocacia estou meio farto de adjetivos sofisticadamente repetidos – e nem de longe estou censurando quem deles se utiliza, é uma questão meramente pessoal e muitíssimo subjetiva – para qualificar quem é quem ou para se dirigir a alguém. Talvez trauma da militância onde foram manuseados milhares de processos, muitos sem êxito. É, da vida se ganha, se perde e … se empata, como diria o filósofo Dino Sani. Nada mais indicativo do que depois de uma sustentação da tribuna de alguma Câmara o relator, na sequência, se dirigir ao advogado com a observação: Doutor a sua argumentação foi ‘brilhante’, mas … No ‘brilhante’ já sabia o final do voto do ‘ilustre’ relator. Brilhante virou vírgula para despachar contra a ponderação defendida nestes casos.

Um carinho quase obrigatório e que nem sempre revela, de verdade, o sentimento nutrido. Às vezes beirava o cinismo, para ser bem real e cru. Noutras, até não. Colei grau em dezembro de 1982, em agosto. Deixei a empresa que trabalhava até então, a Generali, para advogar. Levei oito meses nesta indecisão, ir ou não ir, to be or not to be a Lawyer! Fui.

Já disse várias vezes que a grande alavanca desta definição foi Júlio Cesar Rosa. Pois logo a seguir, em 1984, tomei outra decisão, talvez a mais importante de toda a minha vida. Começava a advogar para a Sul América Unibanco, via Gelson Corbellini, querido padrinho. Me vi diante uma imensa inexperiência em exercitar o Direito do Seguro.

Conhecia tecnicamente a matéria, havia feito a faculdade de Direito, mas logo me dei conta que estava diante de questões nada fáceis de unir e prosseguir, intenção que carregava comigo deste o dia que fiz vestibular: ser um advogado de direito securitário. Não havia, lá em 1984, cursos de especialização no setor e menos ainda pós-graduação e/ou mestrado. O que fazer?

Refleti, deixei um secretário em Porto Alegre a quem confiei a missão de recepcionar processos vindos das seguradoras e a de receber, via malote, as petições que redigiria em São Paulo para entregar no foro ou onde quer que seja neste interior gaúcho. Sim, me fui de mala e cuia para a capital paulista e me apresentei na Sul América Unibanco dizendo: “Estou aqui para aprender como funciona um jurídico de seguradora, não quero nada, só quero olhar e se der para conversar com alguém, por favor, quero escutar e, se for possível, falar de vez em quando”. Fui recebido de imediato por Therezinha de Jesus Corrêa. Atuava na área de seguros desde 1953. Dedicou seus primeiros 16 anos de atividade profissional ao seguro de acidentes do trabalho, na época operado por seguradoras privadas em regime de concorrência com a Previdência Social. Como dizem os hermanos, ao vê-la, em menos de 15 minutos exclamei intimamente: “A mim me encanta!”. Passei 40 dias internado dentro da empresa.

Olhando, vendo, copiando, me misturando, saindo para lá e para cá, indo a foro, indo a tribunal e dando um jeito de, via malote, enviar o expediente que tinha para Porto Alegre, resolvendo uma ou outra audiência com algum colega disposto a me ajudar. No final do período me senti verdadeiramente GRADUADO.

A vida seguiu em frente, Therezinha fez de tudo neste mercado, foi da Porto Seguro, da Mapfre e nem haveria espaço para registrar aqui o currículo desta mulher maravilha.

Ao longo da minha carreira perdi as contas das vezes que citei o nome dela como exemplo de Mestre, Professorado e Inteligência. A meu juízo, modesto, ela foi a Maior e Melhor Inteligência no ramo que encontrei no trajeto da minha vida.

Ela certamente nem sabe desta minha devoção. Quem conheceu ou conhece, sabe do que estou falando. Quem não conheceu não sabe o que perdeu.

A distância e cada um para o seu lado nos deixaram mais de 20 anos sem contato pessoal. Na posse da diretoria da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP), no dia 12 de maio de 2014, tive a graça divina de ser empossado com ela e me reencontrar com a Genialidade.

Com mais de 80 anos, a mesma incansável disposição, hiperativa, com a mesma capacitação expositiva ela continua sendo um ícone impecável. Pensei, francamente, Therezinha nem vai se lembrar de mim. Abracei a Professora e humildemente balbuciei: “Você nem se recordará de mim…”. Resposta: “Claro que lembro Josias! Sei tudo da tua vida, leio tudo que você escreve, e me orgulha muito isto, você é um historiador do seguro”. Therezinha é Fera. Sabia dos seus predicados, mas não tinha ideia do quanto era bondosa!

Saudações Acadêmicas

*Carlos Josias Menna de Oliveira– OAB/RS 16.126

É advogado, professor diplomado, Acadêmico da ANSP e membro da Cátedra de Seguro de Danos: RC da Academia Nacional de Seguros e Previdência – ANSP.

 

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