Muito se tem comentado sobre o futuro da profissão de Corretor de Seguros. Projeta-se desde a manutenção da atividade por décadas até sua extinção em menos de dez anos, dependendo de qual ponto de vista o analisa.

   Atualmente, o futuro da profissão versus a informatização da atividade, conforme alguns preveem, leva à discussão sobre Corretores e Robôs. São caminhos mutuamente excludentes ou podem coexistir?

   É certo que o avanço da informática, com seus “bots” e sistemas de análises interconectadas tem muito a oferecer em termos de dados e resultados, mas o relacionamento pessoal e confiabilidade no trabalho de consultoria oferecida pelo corretor também é entendido como de relevância imprescindível.

   E ainda, sobre os segurados, pode-se dizer que muitas de suas necessidades não são percebidas por eles mesmos, por motivos variados como desconhecimento de opções de tipos de seguros, de princípios sobre gestão de risco ou, projeção equivocada de necessidades presentes ou futuras de proteção.

   É certo que o contato direto com o segurado, de forma profissional e objetiva, produz resultados de definição dos riscos expostos que permitem a visualização de um panorama abrangente, inclusive quanto às eventuais impossibilidades de securitização.

   De toda forma, em todo ambiente de mercado, inclusive o de seguro, sempre há mudanças, pois o desenvolvimento da própria sociedade as impõe. Assim, se eventualmente o corretor já foi tido como um “vendedor de seguros”, trazendo o que estava disponível no mercado ao seu cliente, hoje, esse profissional mergulha na realidade e estilo de vida de seus clientes para atendê-lo de forma pró ativa e, ainda, impulsiona as Cias. Seguradoras para a criação de novos produtos, atuando na adequada e esperada figura de Consultor de Seguros.

   De fato, essa mudança de estilo é necessária, pois as necessidades são dinâmicas e não esperam o momento ideal para serem satisfeitas, afinal, evolução é a chave para a adaptação e sucesso!

   Embora a relação presencial entre corretor e segurado ainda seja a grande mola propulsora de negócios, novas possibilidades de acesso à contratos de seguros por meios virtuais são uma realidade cada vez mais presente.

   Desde o surgimento dos cotadores de seguros para automóveis, até os atuais desenvolvimentos informatizados para avaliação de riscos pessoais, muito se obteve em termos de eficiência e confiabilidade de análise de riscos, possibilitando variadas simulações e contratação dos seguros de forma automatizada.

   A tecnologia é uma vantagem competitiva e estratégica e, ainda assim, as máquinas e softwares aprendem a partir da inteligência humana que as instrui.

   O uso da tecnologia torna os mercados, inclusive o de seguros, mais rápido e preciso, contudo, isto não pode e não deve gerar distanciamento em relação ao cliente.

   A indústria de seguros, incluído neste ambiente o corretor, deve consolidar novos canais e não os temer como ameaças, pois do contrário será relegada como algo que passou de seu tempo de utilidade.

   Independentemente do canal ou meio de levar o seguro ao consumidor, é preciso lembrar que esse serviço depende do que o consumidor precisa … Então, no fim das contas, a venda baseada na experiência do consumidor é o que de fato conta.

   Essa experiência orienta os movimentos da oferta de contratos de seguro no mercado, seja pelo caminho da consultoria ou da venda automatizada. Unir a experiência dos corretores de seguros com as novas tecnologias, gerando um novo e promissor caminho, no qual mais pessoas poderão conhecer e utilizar os benefícios do seguro   deve ser o objetivo.

   Avançar nessa simbiose parece ser o fator determinante para acertar a equação do sucesso nesse novo ambiente.

   O corretor ou o robô? – Dizer qual análise está certa ou errada, depende de fato do único elemento desta equação que realmente define seu resultado: o Segurado!

   É ele, para quem são destinados todos os esforços do mercado de seguros desde quase cinco mil anos atrás, que sempre determinou e continuará a definir quais, quando e como serão consumidos os seguros que existirem.

 

*Dilmo Bantim Moreira

Presidente do Conselho Consultivo do CVG/SP, acadêmico da ANSP no segmento de Seguros de Pessoas, administrador pós-graduado em Gestão de Seguros e Previdência Privada, atuário, membro da Comissão Técnica de Produtos de Risco da FenaPrevi e de Seguro Habitacional da FenSeg, membro da cátedra de Seguro de Pessoas, docente em Seguros de Pessoas, Previdência Complementar, Saúde, Capitalização, Atendimento ao Público colunista em mídias de seguros.

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