(OU ATÉ QUE O “SEGURES” NÃO SEJA MAIS UM OBSTÁCULO PARA O ENTENDIMENTO DA IMPORTÂNCIA DO SETOR PARA A SOCIEDADE)

Alguns pontos me parecem importantes na análise da necessidade de ser uma maior disseminação da cultura do seguro. Até o final da década de 80, o mercado de seguros se encontrava praticamente estagnado. Inflação elevada, regulação inibidora da competição e cultura nacional pouco interessada em seguros, constituíam os principais entraves.

Com as reformas da década de 90 – abertura do mercado nacional ao exterior, privatizações e desregulamentação – começou então um período de grande otimismo para os principais atores do mercado, ainda mais acentuado depois do sucesso da estabilização monetária de 1994 e também uma reforma nas áreas de previdência e saúde.

De 1990 para cá podemos afirmar que o mercado de seguros mudou e muito. As seguradoras tiveram maior liberdade de ação, grandes companhias estrangeira passaram a operar aqui atraídas pelo tamanho de nosso mercado e também pela crença em seu potencial crescimento. O mercado realmente cresceu o dobro e a participação do setor pulou de um patamar histórico de 1% do PIB para mais de 2% e hoje já estamos com mais de 6%.

É imperioso mostrar que quando se diz que é necessária uma maior disseminação da cultura do seguro é porque ao proteger a situação financeira de indivíduos, famílias e organizações, o mercado de seguros ajuda a garantir a rentabilidade financeira nacional. Sem a existência de seguros as pessoas e as empresas prejudicadas por eventos incertos como é hoje o caso do Corona vírus, que aflige todo o mundo, podem ir a falência e ter de se apoiar em familiares, em organizações não governamentais e no próprio governo. Creio que uma campanha motivacional para a população é melhor do que depositar por exemplo em caderneta de poupança apresentando ao investidor as vantagens e desvantagens de cada opção.

O seguro é sem dúvida alguma um forte indutor da melhoria de qualidade de vida como um todo. Creio hoje que esta prerrogativa já vem batendo à porta dos mais jovens na faixa de até 40 anos como uma forma de deixar a família amparada para uma eventualidade, hoje principalmente, com esta pandemia à um custo infinitamente menor de produtos que tem oscilação muito alta como por exemplo a bolsa de valores, e além disso uma disseminação da cultura foi o boom nas vendas dos produtos chamados previdenciários ,o PGBL (Plano Gerador de benefícios livres) e o VGBL (Vida gerador de benefícios livres) que iniciaram e começaram a suprir a deficiência da previdência social.

Atualmente, as estatísticas já mostram a carteira de vida em grupo no topo da lista passando a carteira de automóveis em arrecadação. Na área de saúde, apesar dos grandes prejuízos enfrentados pelo mercado no início, houve um crescimento vertiginoso também devido a ineficiência do governo na saúde pública. Estamos hoje, diante desta ineficiência no combate a esta pandemia que é o Corona vírus ou Covid-19 que já ceifou milhares de vidas e continua com sua fome avassaladora.

O mercado de seguros propicia a canalização de poupança para investimentos produtivos. As companhias seguradoras investem suas reservas técnicas em títulos de emissão das empresas e do governo federal e também em outros ativos afim de capacitá-las ao pagamento de indenizações decorrentes de eventos sinistrosos, aliás é bom ressalvar que para pandemia não existe cobertura, mas o mercado segurador brasileiro resolveu de forma espontânea suprir esta deficiência pagando as indenizações por morte de pacientes que tiveram o vírus da Covid-19.

É preciso que o mercado divulgue isto, pois como já disse, as pessoas não fazem ideia precisa do que é a cultura do seguro. Várias ações envolvendo todos os órgãos do mercado seja de seguradora, seja de corretor e até de entidades púbicas governamentais, com as universidades e escolas de uma forma geral podem e devem ajudar na disseminação da cultura do seguro mostrando o quanto elas retornam em forma de pagamento de indenizações em todas as áreas, seja de automóvel, seja de transporte, de vida, saúde e outras.

Precisamos continuar a difundir a cultura do seguro, atividade tão criativa, tão intrigante e desconhecida, não só do grande público, mas também das camadas mais intelectualizadas do País, seja do Judiciário, do Executivo e do Legislativo, além de empresas e empresários. Já vejo aqui uma anomalia que precisa ser corrigida pois uma classe que ajuda sempre o mercado que são os corretores de seguros, precisam se transformar em profissionais que sejam consultores mostrando ao cliente qual seria para seu perfil o melhor seguro.

As escolas são em principio o caminho natural para levarmos o conhecimento deste segmento ao consumidor de um modo geral. Fazer palestras, debates nas escolas, e principalmente nas universidades onde várias áreas vão no futuro participar da vida destes alunos em seguros, como médicos, engenheiros, economistas e administradores, contabilistas, auditores e atuários. Ampliar as discussões junto aos poderes judiciário e outras autoridades do governo que poderiam ajudar e muito no combate à criminalidade de modo geral. Isto é cultura, isto é o aprendizado que podemos dar, isto é a nossa contribuição para a difusão da cultura do seguro.

 

*Lucio Antônio Marques

Diretor da ANSP – Academia Nacional de Seguros e Previdência.

 

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