Foi realizado em Bariloche, nos dias 25 e 26 de setembro de 2018, o I Fórum de Seguros integrando a agenda do G20. Esse primeiro encontro, incluído em tão importante evento de líderes mundiais, demonstra pelo menos dois pontos relevantes, quase paradoxais, que merecem a atenção dos profissionais da indústria de seguros.

O primeiro aspecto é a relevância reconhecida da indústria de seguros na macroeconomia mundial, por ser notadamente um suporte fundamental para o crescimento econômico sustentável. Projetado para proteger indivíduos, empresas, cidades ou responsabilidades federais, o mercado de seguros é a ponte para vincular eventos inesperados de perda ao desejado nível social de normalidade.

Como os Estados não têm recursos para indefinidamente proteger as economias dos acidentes possíveis, é importante criar um esforço contínuo que vise:

(1) A produção de informações sobre riscos para criar produtos específicos;

(2) O desenvolvimento de toda a estrutura legal e cultural para abraçar esses novos produtos;

(3) A formação de parcerias entre os governos e o setor privado para consolidar todos os avanços.

Existem vários motivos pelos quais os Estados não podem absorver sozinhos os deveres que envolvem soluções econômicas para eventos seguráveis, tais como a falta de recursos disponíveis livres de compromissos com seus respectivos orçamentos, as economias informais e suas consequências como realidade para muitos países e ainda, a grande dificuldade para gerenciar todas as implicações de um programa de seguro sofisticado.

O fato é que os eventos não segurados que atingem a sociedade, decorrentes de catástrofes naturais, pandemias ou qualquer outro evento de grandes proporções, sempre se traduzirão em custos para os indivíduos por meio do gasto público.

Para exemplificar, no ano de 2017, cerca de apenas 20% dos USD320 bilhões de perdas econômicas causadas por catástrofes foram protegidos sob algum mecanismo de seguro. O saldo remanescente foi deixado para os governos e seus orçamentos já bastante pressionados. Tais prejuízos, de uma maneira ou de outra, terminarão como um peso extra no custo de vida do cidadão, especialmente para a camada mais pobre da sociedade.

Embora o setor de seguros e todos as suas particularidades esteja bem desenvolvidas em todo o mundo, incluindo regulamentações, canais de distribuição e mecanismos financeiros, é no nível da sociedade que ele encontra o elo mais fraco. E é justo nesse local que a indústria passa por enormes frustrações quando e onde uma perda segurável atinge um segmento da sociedade que não estava suficientemente organizado para comprar a devida proteção necessária.

O segundo ponto a ser destacado é o porque de tão relevante alavanca de sustentabilidade só agora ter ganho notoriedade a ponto de encontrar espaço na agenda do G20?

A resposta a esse questionamento talvez responda também parte importante dos 80% de perdas não garantidas no ano de 2017. É necessário trabalhar para desenvolver uma cultura de sustentabilidade que se preocupe em levar para os mais diversos níveis na sociedade, incluindo a esfera pública, a percepção quanto ao risco e o seguro como uma solução.

*Fabio Basilone

É Engenheiro, com especialização em Engenharia Econômica pela UFRJ e em Liderança de Inovação e Mudanças pela York St. J. University, CEO da área de Wholesale e Fundador da SOM.US Holdings América Latina,passando pela fundação da Cooper Gay Swett & Crawford no Brasil e pelo corpo diretivo de Aon Benfield e Heath Lambert. Diretor do IBRACOR, atua para melhora do mercado segurador na América Latina e Acadêmico da Academia Nacional de Seguros e Previdência – ANSP.

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