“Os Gauleses, na criação de Uderzo e Goscinny tinham um único receio: que o céu lhes caísse na cabeça. Não, não é o nosso único receio, temos todos os receios, mas este é só o que nos falta.”

Sabido que o seguro tem seu valor – o prêmio – fixado por estudo atuarial que persegue medir o risco que será assumido pelo segurador. Muito se discutiu, e talvez aqui e ali ainda se discuta, a taxação ´perfil` no seguro de automóvel, mas o fato é que todos os contratos são cobrados pelo perfil do segurado diretamente vinculados a diversos fatores como objeto e o local. E a questão é singela, precisa: conforme o risco, maior ou menor, será o prêmio mais caro ou mais barato. Não há magia nem mistério, é assim que é e será. Nesta linha me deparo a refletir e me deparo com a situação da capital gaúcha que é bastante delicada.

Os assaltos em Porto Alegre se multiplicam geometricamente, com ou sem arma, com ou sem invasão de domicílios, com ou sem vitimas – feridas inclusive de morte (o que aumenta assustadoramente) e por toda a cidade. Dos mais modestos aos mais abastados. De simples cidadãos em paradas de ônibus, desimporta a idade e o sexo, até aos mais luxuosos condomínios fechados. Roubam Lambreta (a do Damião, aquele atleta que gostava de fazer gracinhas, parece que também levaram…), Uno Mille e Porsche.

Os incêndios viraram uma constante. Incendiou uma boate na Independência, um hotel no centro da cidade, uma cobertura no luxuoso bairro da Bela Vista, pelo menos dois clubes de esportes e lazer e dezenas de estabelecimentos menores. Sem contar com operários soterrados em obra pública, mas este já é um risco menor.

Quando chove a cidade fica literalmente debaixo d’água, com carros boiando, casas e prédios alagados – na última enchente soube-se que no estado 120 mil famílias ficaram desabrigadas, sem contar que a falta de energia elétrica e a queima de aparelhos eletrônicos virou pipoca na entrada e saída de cinemas – faz parte do show. Neste recente episódio de chuvas o poder público se entregou e revelou que as bombas de água da cidade estão esgotadas e vencidas há 10 anos e, por isto, não há como evitar a invasão aquática que nos submetem a cada tormenta.

Vendavais se tornaram parte da semana tanto quanto a missa para quem é católico e a frequenta. É de lembrar a frase eternizada nos quadrinhos dos antológicos R. Goscinny, A. Uderzo, que atribuía aos Gauleses um único receio: que o céu lhes caísse na cabeça.

Não, não é o nosso único receio, temos todos os receios, mas este era só o que nos falta.

Diante destes fatos indesmentíveis, fico me indagando até quando a capital gaúcha – que é ou já foi tida, como a de melhor qualidade de vida do Brasil – irá suportar a manutenção de preços aceitáveis de riscos e garantias securitárias. Urge uma providência da administração pública. Ou vamos pagar logo ali mais este preço.


Carlos Josias Menna de Oliveira

É advogado, professor diplomado e Acadêmico da Academia Nacional de seguros e Previdência – ANSP.


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