“Até que o segurês não seja mais um obstáculo para o entendimento da importância do setor para a sociedade”

Alguns pontos me parecem importantes na análise da necessidade de uma maior disseminação da cultura do seguro.

Até o final da década de 80, o mercado de seguros se encontrava praticamente estagnado. Inflação elevada, regulação inibidora da competição e cultura nacional pouco interessada em seguros, constituíam os principais entraves.

Com as reformas da década de 90 – abertura do mercado nacional ao exterior, privatizações e desregulamentação –, começou um período de grande otimismo para os principais atores do mercado, ainda mais acentuado depois do sucesso da estabilização monetária ocorrida em 1994.

De 1990 para cá podemos dizer que o mercado de seguros mudou muito. As seguradoras tiveram maior liberdade de ação, grandes companhias estrangeiras passaram a operar aqui, também as grandes resseguradoras com a quebra do monopólio do IRB passaram a trabalhar atraídos todos pelo tamanho de nosso mercado e seu potencial de crescimento.

O mercado cresceu de tal ordem que sua participação que era secular em relação ao PIB em 1% chegou a 4% em 2013 e deve ficar entre 4% e 5% este ano.

O faturamento do mercado cresceu 8% em relação ao mesmo período de janeiro a setembro de 2014, a sinistralidade também cresceu um pouco em relação ao mesmo período do ano anterior, ou seja, ficou em 49,6% contra 47,6% em 2013. Importante mostrar o quanto se paga de indenizações.

É imperioso mostrar que quando se diz que é necessária uma maior disseminação da cultura do seguro é porque ao proteger a situação financeira de indivíduos, famílias e organizações, o mercado de seguros ajuda a garantir a estabilidade financeira nacional.

Sem a existência de seguros, as pessoas e as empresas prejudicadas por eventos incertos podem ir à falência e ter de se apoiar em familiares, em organizações não-governamentais e no próprio governo. Creio que os órgãos institucionais do ramo poderiam fazer uma campanha motivacional para a população brasileira e deveriam abordar um aspecto de poupança de longo prazo, ponto crucial no item poupança interna, mostrando que fazer seguro de vida é melhor do que depositar, por exemplo, em caderneta de poupança, apresentando ao investidor as vantagens e desvantagens de cada opção. O seguro é, sem duvida alguma, um forte indutor da melhoria de qualidade de vida como um todo.

Uma idéia clara de disseminação da cultura foi o boom verificado nas vendas dos produtos chamados previdenciários, o PGBL e VGBL, que começaram a suprir a deficiência da previdência social.

Na área de saúde, apesar dos grandes prejuízos enfrentados pelo mercado houve um crescimento vertiginoso também devido a ineficiência do governo na área de saúde pública.

Talvez pela terminologia empregada, o chamado “segurês”, é que temos o distanciamento entre o conhecimento necessário e a realidade existente em relação à cultura do seguro, e precisamos continuar difundindo a cultura do seguro, atividade tão criativa, tão intrigante e desconhecida não só do grande público, mas também das camadas mais intelectualizadas do País, seja do Judiciário, do Executivo e do Legislativo, além de empresas e empresários e, óbvio, da população em geral.

As escolas são, em princípio, o caminho natural para levarmos o conhecimento deste segmento ao consumidor de um modo geral. Nas escolas de nível superior, poderíamos fazer palestras, debates e discussões com os alunos do último ano dos cursos de engenharia, direito, medicina, economia, administração e tantos outros.

Ampliar as discussões junto ao Poder Judiciário, levar às autoridades públicas que cuidam da segurança ajuda e ideias e propostas que poderiam ajudar e muito o combate à criminalidade. Isto é cultura, isto é o aprendizado que podemos dar, isto é a nossa contribuição pela difusão da cultura do seguro.


Lucio Antônio Marques

É assessor da presidência da Nobre Seguradora do Brasil, vice-presidente do Sindicato das Seguradoras do RJ/ES e membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência – ANSP.


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