O recém publicado o capítulo 1 do relatório World Economic Outlook – Grande Lockdown (FMI, abril/20), nos traz um visão detalhada da cicatriz originada pelo o impacto profundo que a pandemia de COVID-19 deixará marcada no mundo. As observações feitas nesse material são baseadas nesse relatório (FMI, abril/20). O resumo apontado é de uma contração no PIB mundial (-3%), em 2020, o que significa que o desempenho em 2020 será pior do que durante a crise financeira global de 2008-2009. Tal retração está baseada nas ações de confinamento ou distanciamento social, impostos como medidas governamentais para salvaguardar os sistemas de saúde, objetivando oferecer à população dos países já afetados a chance de superação do estágio mais grave da infecção em UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo).

As consequências econômicas da pandemia afetarão a todos os países, em maior ou menor medida, e imporão uma nova realidade às economias mundiais. Só nos Estados Unidos o seguro-desemprego superou em março a 6,6 milhões de pedidos. Essa marca supera o alcançado no auge da crise financeira global de 2008-2009, que no pior momento gerou 2,6 milhões de desempregados.

 

FONTE: (https://money.cnn.com/2009/01/09/news/economy/jobs_december/)

As expectativas apontadas no relatório (FMI, abril/20) sobre os efeitos causados pela pandemia indicam que haverá forte retração mundial em 2020, porém há indicações que apontam substancial crescimento em 2021 frente a 2019.

Tal análise otimista à saída da pandemia, apontada no relatório (FMI, abril/20), se deve, em parte, à observação do comportamento da indústria chinesa, que apresentou recuperação moderada da atividade econômica logo após o forte declínio em janeiro e fevereiro, meses que representaram a fase aguda da pandemia; com a queda no número de novos casos, a China passou a relaxar as medidas de confinamento e distanciamento social. Apesar de ser uma visão otimista não se pode deixar de observar que ainda é cedo e que ainda não se pode descartar o ressurgimento de novas disseminações do vírus, tanto na China com em outros países.

Foi apontado pelo relatório (FMI, abril/20) que os países que dependem de atividades de turismo, viagens, hotelaria e entretenimento tendem a serem impactados no crescimento de forma mais grave. Também se observou que várias economias entraram nessa crise em um estado mais vulnerável, com crescimento lento do PIB e níveis de dívida elevados – caso do Brasil. Além disso, observando-se o que ocorreu na crise financeira internacional de 2008-2009, a renda per capita deve cair em mais de 170 países, tanto nas economias avançadas como nas economias em desenvolvimento e de mercados emergentes, devendo recuperar-se parcialmente em 2021. Esse é o fator que mais incerteza aporta às projeções de recuperação, pois, diferente da crise 2008-2009, tanto economias avançadas quanto emergentes, encontram-se em recessão.

 

Pesar do cenário indicado pela crise 2008-2009 indicar uma potencial referência, o relatório (FMI, abril/20) ressalta que há extrema incerteza em torno da duração e intensidade da crise provocada pela COVID-19; se não houver recuo no segundo semestre de 2020, levando a períodos mais longos de confinamento ou distanciamento social, se agravarão as condições financeiras e haverá novas rupturas das cadeias produtivas globais.

E com essa visão que o relatório (FMI. Abril/20) indica que as autoridades devem planejar a retomada, após a liberação do distanciamento social necessário nesse momento, as políticas devem focalizar no apoio à demanda, no incentivo à contratação pelas empresas e na reconstrução dos balanços dos setores público e privado para ajudar na recuperação. O relatório (FMI, abril/20) também indica que o Fundo Monetário Internacional emprega a capacidade de crédito de US$ 1 trilhão para apoiar países vulneráveis, por exemplo, por meio do desembolso rápido de financiamento emergencial e alívio do serviço da dívida a países membros mais pobres.

*Rogério Guede Vergara

Atuário e Consultor Especialista em Riscos e Seguros. Sócio Diretor da RIVER Consultores e coordenador da Cátedra de Seguro de Danos: Riscos Financeiros.

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